Artesanato tapajônico
Os interessados em cultura milenar não podem deixar de conhecer e adquirir as belíssimas peças de cerâmicas decoradas, consideradas as mais lindas do mundo. Trata-se da arte proveniente dos índios tapajós. Apesar de viverem em constantes guerras com outras tribos, os tapajós ficaram famosos pela arte.
Suas cerâmicas leves e resistentes atiçaram a cobiça de colecionadores. Objetos de cerâmica em estilo Santarém achados em lugares distantes entre si indicam que havia um contato intenso entre os tapajós e as tribos vizinhas, seja pelo comércio, seja pela dominação direta.
Mesmo depois dos primeiros contatos com os europeus, os tapajós ainda eram uma das maiores nações indígenas da Amazônia. O grupo indígena Tapajó localizava-se na foz e ao longo do afluente da margem direita do Amazonas - o rio Tapajós. Apenas a cerâmica restou para testemunhar sua história.
A cerâmica Tapajônica é feita com argila e cauxixi, uma esponja de rio. A mistura fica dura e leve como porcelana. Os recipientes em formas exuberantes eram provavelmente usados em ocasiões especiais, como festas e rituais religiosos. Sabe-se que os tapajós misturavam as cinzas de seus mortos a bebidas fermentadas feitas de milho ou arroz-bravo, uma planta nativa da Amazônia.
Neste caso, alguns dos vasos seriam usados para, literalmente, beber os entes queridos. Outros seriam de uso exclusivo dos sacerdotes, para a ingestão de bebidas alucinógenas, como a ayahuasca. Bichos como o jacaré e a onça-pintada eram freqüentes na cerâmica decorada tapajônica.
Essa cultura milenar foi descoberta por Kurt Nimuendaju, em 1923, que recebeu informações de um padre alemão que era seu amigo. Esse povo tinha outra cultura, pois não enterrava seus mortos. Existia uma cabana mortuária, onde deixavam o corpo em uma rede com os pertences a seus pés, até se deteriorarem por completo.
Os ossos que restavam eram lavados, moídos e colocados em vinho, que era bebido pelos familiares do morto e pelo resto da tribo, por ocasião da festa ritualística.
Existem inúmeros tipos de vasos de cerâmica tapajônica, como vaso de gargalo, vaso de cariátides, pratos, estatuetas, cachimbo, etc.
Os famosos muiraquitãs, pedra verde esculpida em forma de sapo, eram usados pelas mulheres tapajós como amuleto para prevenir doenças e evitar a infertilidade.
A crença se espalhou pelo Baixo Amazonas e chegou ao Caribe, onde foram achados muiraquitãs amazônicos. A moda pegou até na Europa. No século XVIII, muiraquitãs eram levados para o Velho Continente. Acreditava-se que evitavam epilepsia e cálculos renais. Hoje são peças raras, que alcançam altos preços nos leilões. Réplicas podem ser compradas em formato de jóias no Pólo joalheiro, no espaço São José Liberto, em Belém.
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